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Política de pixel morto no Brasil

Atualizado em 5 de setembro de 2026. Fomos atrás da política de 11 fabricantes que vendem monitor ou notebook no Brasil. Seis publicam um critério. Três não publicam nada. Duas publicam e você não consegue ler.

Você comprou um monitor, ligou, e tem um ponto que não acompanha o resto da tela. A primeira pergunta é sempre a mesma: isso dá troca?

A resposta honesta é que ela tem duas camadas, e quase todo texto sobre o assunto mistura as duas. A primeira camada é a política do fabricante, que é um número: quantos pixels defeituosos ele considera aceitável antes de trocar o painel. A segunda é a lei brasileira, que não fala em pixel nenhum e vale de qualquer jeito. Esta página é sobre a primeira. A segunda está na outra.

Antes de tudo: é morto ou é travado?

Pixel morto não recebe mais energia. Aparece preto em todas as cores, inclusive na tela branca. Não tem conserto por software.

Pixel travado está preso numa cor. Aparece vermelho, verde ou azul fixo, e às vezes volta sozinho com estímulo. Esse tem chance.

A diferença muda o que você vai pedir. Confira no teste de pixel morto, que percorre as cores sólidas em tela cheia e tem o recuperador de pixel travado.

O que cada fabricante publica

Levantamos em 5 de setembro de 2026, sempre na página da própria fabricante. Onde não achamos, dizemos que não achamos — isso também é resposta.

Duas palavras que aparecem em todas as tabelas: subpixel é cada um dos três pontinhos (vermelho, verde e azul) que formam um pixel. Quase todas as políticas contam subpixel, não pixel inteiro. E brilhante é o que fica sempre aceso; escuro é o que fica sempre apagado. Fabricante nenhum trata os dois igual, porque um ponto branco no meio do preto incomoda muito mais do que o contrário.

FabricantePublica?Subpixel brilhanteSubpixel escuroOnde está
DellSim, em português0 na Troca de Painel Premiumaté 5Página de suporte pt-BR
ASUSSim, por modelo0 nas linhas PG e ProArt; até 3 no restoaté 5Aba Garantia de cada monitor
AcerSim, em portuguêsmenos de 2; 0 nas séries BM e ConceptDmenos de 5Base de conhecimento
AOCSim, com norma ISO35Dentro do manual do produto
PhilipsSim, a mais detalhada35Dentro do manual do modelo
LGFora do BrasilA política existe, mas não em português, e os números que achamos são de 2012
HPExiste, ilegívelO documento tem nome oficial e a página abre, mas o conteúdo não carrega
LenovoExiste, ilegívelMesma coisa. Só dá para ver que usa ISO 9241 com classes 0 a 3
SamsungNão achamosNem em português, nem em inglês, nem no termo de garantia oficial
PositivoNão achamosA política de garantia não cita pixel nenhuma vez
MultilaserNão achamosA política de garantia trata só de prazos e exclusões

As três que publicam de verdade

Dell é a mais clara das onze, e a única que encontramos com a política escrita em português do Brasil, na própria página de suporte. O programa se chama Troca de Painel Premium e a regra é zero subpixel brilhante: um único ponto sempre aceso já dá direito a painel novo. Para subpixel escuro, tolera até cinco. Isso cobre UltraSharp, Dell Pro, a linha gaming, Alienware, all-in-ones e notebooks de resolução HD+ ou maior. Notebooks de resolução mais baixa têm régua mais frouxa: até dois brilhantes.

ASUS tem a política com nome de campanha, o Zero Bright Dot. Nas séries PG e ProArt, zero subpixel brilhante no primeiro ano. Repare numa coisa que a própria ASUS deixa escrita: ponto escuro não entra no programa. O Zero Bright Dot é sobre ponto aceso, e só.

Acer publica em português e distingue por linha. No geral, menos de dois subpixels brilhantes e menos de cinco escuros. Nas séries BM e ConceptD, que são as profissionais, zero brilhante. Tem uma cláusula que vale ler antes de abrir chamado: subpixel de tamanho igual ou menor que meio subpixel fica fora da garantia.

As duas que publicam, mas escondem no manual

AOC e Philips têm política escrita, com número e tudo. O problema é onde ela mora: dentro do PDF do manual do produto, não numa página de suporte que você ache pesquisando.

A AOC declara a norma ISO 9241-307, Classe 1: um pixel inteiro brilhante, um pixel inteiro preto, três subpixels brilhantes, cinco escuros, cinco no total. No Brasil, achamos isso dentro do manual no portal de suporte da AOC, e não numa página própria.

A Philips tem a tabela mais detalhada que vimos — separa subpixel isolado de dois adjacentes e de três adjacentes, e ainda exige distância mínima de 15 mm entre dois defeitos. Vale notar: três subpixels adjacentes acesos, que é um pixel branco inteiro, tem tolerância zero. Duas ressalvas honestas: o texto que lemos está em português de Portugal, e a Philips publica a tabela no manual de cada modelo, então modelos diferentes podem ter números diferentes. Confira o manual do seu.

As que não publicam nada

Samsung, Positivo e Multilaser. Lemos os termos de garantia oficiais dos três e a palavra pixel não aparece.

No caso da Samsung existe até uma lenda de "zero dead pixel policy", mas a única fonte que encontramos para ela é uma matéria de 2005. Não é política publicada, é memória de internet. Não conte com isso.

HP e Lenovo são um caso diferente e mais irritante: as duas têm documento oficial de política de pixel, com nome e URL. Só que o conteúdo é montado por JavaScript e não abre em leitura direta. Tentamos em várias regiões. Não vamos publicar número que não conseguimos ler.

A política do fabricante não é a lei

Isto é o mais importante desta página. O número que a fabricante publica é uma regra dela, do programa de garantia dela. Ela não substitui o Código de Defesa do Consumidor, e não pode reduzir o que a lei te dá.

Um monitor que chega com um ponto na tela é produto com vício, e o CDC trata disso independentemente de quantos subpixels a tabela do fabricante tolera. O caminho, os prazos e o que você pode exigir estão em garantia de periférico no Brasil.

O que fazer, na ordem

1. Confirme que é pixel, e qual tipo. Limpe a tela primeiro — sujeira seca engana. Depois rode o teste de pixel morto em tela cheia e percorra as cores. Ponto preto em todas as cores é morto; ponto colorido fixo é travado.

2. Registre. Foto da tela com o defeito visível, de perto e de longe, e a data. Sem isso, qualquer conversa vira palavra contra palavra.

3. Procure a loja onde comprou, não o fabricante. Muita gente faz o contrário. A loja responde junto com o fabricante, e o caminho pela loja costuma ser mais rápido — o porquê disso está na outra página.

4. Só então vá à política do fabricante. Ela serve para você saber se o caso é claro. Se a marca é Dell e o ponto é brilhante, o próprio critério dela já resolve. Se a marca não publica nada, a conversa não morre: ela só passa a correr inteira pela lei.

Perguntas frequentes

Um monitor novo pode vir com pixel morto de fábrica?

Pode, e as fabricantes tratam isso como normal dentro de um limite. É justamente o que as tabelas desta página medem. O que muda de marca para marca é quantos pontos elas consideram aceitável antes de trocar o painel.

Quantos pixels mortos dão direito a troca?

Depende da marca, e não existe um número único. Nas políticas que conseguimos ler, subpixel escuro costuma ser tolerado até cinco. Subpixel brilhante é mais rigoroso, e nas linhas premium de Dell, ASUS e Acer a tolerância é zero. Mas o número da fabricante é o critério do programa dela, não o limite do seu direito.

A garantia do fabricante cobre pixel morto?

Quando a fabricante publica política de pixel, sim, dentro do critério dela. Quando não publica — Samsung, Positivo e Multilaser, nas fontes que consultamos — não há critério declarado para consultar, e a conversa passa a correr pela lei.

Pixel travado tem conserto?

Às vezes. O estímulo rápido de cores destrava alguns, e é o que o recuperador do teste de pixel morto faz. Pixel morto de verdade não volta por software, porque o subpixel não recebe mais energia.

Vale a pena testar antes de aceitar a entrega?

Vale, e é o momento mais fácil de resolver. Um defeito constatado logo na primeira ligada é vício aparente, e o prazo corre a seu favor desde a entrega.

Fontes

Todos os números desta página vieram da página da própria fabricante, consultada em 5 de setembro de 2026. Nenhum veio de blog ou de fórum.

O que não conseguimos confirmar

Os números da HP e da Lenovo: as páginas existem e têm nome oficial, mas o conteúdo não abre em leitura direta.

A tabela atual da LG: o documento oficial traz os números dentro de uma imagem, e o único lugar onde encontramos valores era um comunicado de 2012, sob uma norma que já foi substituída. Não usamos.

Se você tiver um chamado aberto com qualquer uma dessas marcas e receber a política por escrito, mande para a gente. A tabela é atualizada com fonte, e o crédito da correção vai na página.